como fazer tigelada
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receita tradicional de tigelada
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Cada viagem que fazemos, seja uma caminhada pelas ruas da nossa terra ou uma aventura mais longínqua, permite-nos descobrir sempre algo novo. Há viagens que são muito ricas em aprendizagens, pelas pessoas que conhecemos, pelo facto das culturas e modos de vida serem diferentes dos nossos, pelos sons, cheiros, cores extraordinárias. Foi o caso da última viagem que fizemos – até Marrocos.

E devem estar vocês a pensar o que é que a nossa tradicional tigelada portuguesa tem a ver com Marrocos… Não, não descobri nenhuma receita de tigelada marroquina 😉 mas fiz amigos novos, entre eles a simpática Nazaré, que teve a generosidade de partilhar algumas receitas comigo. Mais do que receitas, partilhou saberes, truques, modos de fazer e muita conversa boa, deliciosa mesmo! Quando descobri que a Nazaré é da zona de Vila Velha de Rodão, mais precisamente Vilas Ruivas, e notei a sua paixão pela cozinha, perguntei logo sobre o modo de fazer a tigelada com todo o preceito. Eu já tinha feito uma vez… tinha ficado boa, mas não estava extraordinária. A Nazaré deu-me a sua receita e o truque: o recipiente de barro deve estar bem quente quando recebe o preparado, pois é isso que vai dar o gosto especial à tigelada.

As pessoas que trazem consigo, na memória e no coração, o sabor das receitas que lhes alegram a mesa há décadas e têm a generosidade de as partilhar são, normalmente, boas conversadoras. É o caso da Nazaré! Vai daí que eu sou uma rapariga que gosta de falar – muito! – e de cozinhar e de partilhar, o que resultou em conversa animada e saborosa durante todos os dias da viagem. A Nazaré e a sua tigelada são duas das riquezas que trouxe deste passeio por Marrocos. Houve muitas mais e as maiores estão nas pessoas fantásticas que conhecemos e nos amigos que já iam connosco de cá. Não há riqueza maior do que estarmos abertos ao mundo e aos outros, pois é isso que nos permite receber e partilhar tudo o resto que a vida tem para oferecer! E é tanto e tão bom!

Votos de uma Páscoa feliz para todos e obrigada à Nazaré de Vilas Ruivas por tão boa tigelada!

Ingredientes

7 ovos tamanho L
280 gr de açúcar (400 gr na receita original)
3 cascas de limão (opcional, não faz parte da receita original)
1 litro de leite
1 prato fundo de barro (o meu não é muito fundo, é tipo de sericais, mas podem usar um mais fundo)
Pitada de canela e uma colher de sopa de mel (estes ingredientes fazem parte da receita original, mas não usei)

Preparação

Esta receita está ligeiramente adaptada – seguem todas as explicações. A receita tradicional não indica ferver o leite, mas eu fervi com as cascas de limão para ficar aromatizado. Depois de ferver o leite com as cascas de limão, deixei-o arrefecer e retirei as cascas. É muito importante pré-aquecer o forno com o prato de barro lá dentro. Pré-aqueçam o forno a 220º.

Numa tigela grande, misturar os ovos inteiros com o leite e o açúcar (não bater para não formar espuma, misturar apenas). Deitar este preparado no prato de barro quente e colocá-lo no forno para cozer durante 30 a 50 minutos conforme o forno e o tipo de recipiente que usem.

NOTAS:

  • A cozedura vai ser tão mais rápida quanto mais largo e baixo for o prato, se usarem um prato mais alto ou um tacho e o preparado ficar mais alto e não tão espalhado, a cozedura vai demorar mais. Eu usei um prato tipo de sericaia, é baixo e a tigelada cozeu em 35 minutos.
  • Usei o forno a 220º com a ventilação ligada e as duas resistências ligadas. Como achei que estava a tostar pouco, nos últimos 10 minutos liguei apenas a resistência superior.
  • Quem usar forno a lenha, também deve aquecer o prato previamente e ter o forno bem quente.
  • Não tenham receio de usar apenas os 280 gr de açúcar, é perfeitamente suficiente, quem me deu a receita também não usa os 400 gr.
  • Não usei canela nem mel para não se assemelhar a sericaia, quis experimentar primeiro assim, mas a Nazaré referiu que na zona dela põem uma pitada de canela e um pouco de mel na mistura.

Resta dizer que ficou uma delícia! Quem provou adorou e ficou, de facto, muito melhor do que a tigelada que eu tinha feito anteriormente. Quem sabe, sabe! 😉